ARBITRAGEM PAULISTA
Gustavo foi diretor de arbitragem da Federação Paulista e instrutor de arbitragem CBF
02/MAR/2010
Uma decisão tomada pela Comissão de Arbitragem da CBF altera profundamente as coisas na arbitragem nacional e confesso estar surpreso, apesar de respeitar. Algumas razões tento mostrar na sequência.
A determinação diz respeito ao fato de que árbitros com idade superior a 30 anos não podem mais ingressar (ou reingressar) no Quadro Nacional.
Sempre fui adepto de renovações e por isto minha posição não é de crítica, mas muito mais de alerta estabelecendo alguns parâmetros:
Se a decisão diz respeito ao fato de que, após os 30 anos o árbitro perderia sua melhor condição física para acompanhar a velocidade das partidas, tal decisão se tornaria incoerente a partir do momento em que a grande maioria dos que lá já estão, e vão continuar, tem idades muito superiores. E muitos estão acima dos 40 anos...
Se a decisão visa renovar através dos quadros estaduais, estes, com toda certeza, terão problemas para indicações qualitativas, por ter sido uma decisão imediata e sem tempo para adequação.
Primeiro, estaremos perdendo exatamente a faixa etária em que o árbitro começa a adquirir sua maior maturidade e experiência para a função. E a grande maioria tem esta opinião.
Segundo, poderemos ter jovens recém formados de qualidade, mas sem a maturidade necessária para estarem na elite da arbitragem nacional. Isto fatalmente poderá trazer problemas, pelo menos nos primeiros anos de suas participações e alguns poderão ter suas carreiras truncadas.
Se a grande maioria das Federações aceita candidatos a arbitro com até 30 anos isto, urgentemente, precisa ser revisto. Mas será este o mesmo pensamento das Federações?
Os Presidentes das Comissões estaduais pensam igualmente?
Mais afeito ao futebol de São Paulo, e após ler diferentes afirmações, posições e opiniões por mim lidas em sites especializados, levantei dados e estes me surgiram como preocupantes naquela que sempre foi um dos “carros-chefe” do Quadro Nacional.
Analisem:
Dos 30 componentes de seu Quadro Ouro somente 3 tem idade inferior a 30 anos... Destes 3, 2 já fazem parte do Quadro Nacional...
Dos 30 componentes de seu Quadro Ouro somente 3 tem exatos 30 anos... Um deles já faz parte do Quadro Nacional...
80% do Quadro Ouro têm idade superior ou igual a 30 anos...
Como poderá a CEAF/SP cumprir tal determinação sem poder contar com os ranqueados de seu grupo de maior qualidade?
Muito fácil imaginar que se os demais não fazem parte do Quadro Ouro de uma Federação, não estão, pelo menos momentaneamente, aptos para o Quadro Nacional.
São Paulo possui 16 vagas (falando em árbitros centrais) e ao se ater aos números acima (80% acima de 30 anos) como será a indicação dos mais jovens?
E os demais 14 restantes componentes do Quadro Ouro, acabaram?
Árbitros de 32, 33, ou até mesmo 35 anos com no mínimo mais 10 anos antes de encerrarem suas carreiras podem ser desprezados prematuramente?
Se quem já faz parte pode ficar até os 45 anos de idade qual o problema existente com estes que lutavam para chegar? Aqui a maior incoerência...
E nos Assistentes então? Sem necessitar do mesmo condicionamento físico em relação aos Árbitros Centrais, toda experiência adquirida ao longo de suas carreiras pode ser desprezada e jogada no lixo?
Quantos chegaram à FIFA, e isto no mundo, com menos de 30 anos? Raras foram as “moscas brancas”...
É preciso experiência, entenderam? Até a FIFA demonstra isto.
São Paulo, que tem em seu quadro por volta de 600 árbitros certamente, terá dificuldades, mas fico a pensar... Como será nas Federações menores com 80, 100, 150 árbitros?
Reitero que respeito a decisão, mas me pergunto se um trabalho, e na linha acima demonstrada, foi realizado antes nos quadros de cada Federação.
Só nos resta aguardar...
Até mais amigos! Gustavo Caetano.
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-------------- Nota do Editor: Gustavo Caetano Rogério nunca exerceu a função de árbitro apesar de ter formação através de cursos locais e internacionais. Foi Supervisor Técnico da CEAF-SP 90/93, Diretor da Escola de Árbitros FPF 94/2002, Orientador Técnico do Quadro da FPF 90/2002, Instrutor Nacional 98/2002 e Inspetor de Árbitros da Sulamericana 98/2002
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