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Marcelo Luiz de Souza: Lesão Osteocondral do Tornozelo

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Colunista do Rio de JaneiroFisioterapia On-line

Marcelo Luiz de Souza é fisioterapeuta e profissional de educação física com especialização em fisioterapia desportiva. Atende aos árbitros do quadro do Rio de Janeiro.

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10/JAN/2010

Marcelo Luiz de SouzaInúmeros atletas/desportistas de várias modalidades, já sofreram com as entorses de tornozelo. Uma vez diagnosticada com exatidão a lesão e, a consequente realização de um tratamento adequado, em geral, retorna-se a atividade desportiva com segurança e, sem perda da função. Entretanto, quando não se respeita as etapas de um tratamento, deixando o atleta/ desportista com déficit funcional e proprioceptivo, pode-se evoluir para a chamada lesão osteocondral do tálus. O tornozelo é uma estrutura formada pela união de 3 ossos: tíbia, fíbula e tálus. O tornozelo é formado por três articulações:
1) articulação talocrural: formado pela extremidade inferior da tíbia e fíbula com o dorso do tálus;
2) articulação subtalar: entre o tálus e o calcâneo e
3) articulação tibiofíbular: formada pela extremidade inferior da tíbia e da fíbula.

Cada osso específico tem uma cartilagem que o reveste visando proteger dos atritos. Lesão osteocondral é a separação ou compressão da cartilagem articular, sendo esta uma das principais causas das dores crônicas do tornozelo. Também conhecida como fratura osteocondral e osteocondrite dissecante.

CAUSAS E FISIOPATOLOGIA

Duas causas principais: traumáticas e atraumáticas. A primeira relacionada às disfunções anatômicas e biomecânicas e a segunda verificam-se: fatores genéticos, fenômenos embólicos, formação de ossículos acessórios, disfunções endócrinas, lúpus eritematoso sistêmico, alcoolismo crônico e hiperuricemia.

A lesão bloqueia o suprimento sanguíneo para osso subcondral, causando formação de fibrose que bloqueia a penetração de novos capilares, resultando em necrose do osso subcondral e a consequente lesão.

DIAGNÓSTICO

Inicialmente, é suficiente a análise radiológica, entretanto, indica-se tomografia computadorizada, caso seja necessária intervenção cirúrgica, mostrando a localização exata da lesão. No pós-operatório a ressonância nuclear magnética aparece como método de escolha mostrando com mais exatidão a interface entre o fragmento osteocondral e o leito talar.

Segundo Berndt e Harty (apud Cohen) a classificação das lesões osteocondrais do tornozelo são:
E I: pequena área de compressão do osso subcondral;
E II: fragmento osteocondral parcialmente destacado;
E III: fragmento osteocondral totalmente destacado e não desviado;
E IV: fragmento osteocondral totalmente destacado e desviado

TRATAMENTO

Observa-se que os estágios I, II e III, são tratados de forma conservadora, ou seja:
a) Repouso e restrição das atividades com ou sem uso de medicamentos antiinflamatórios;
b) Imobilização gessada de 3 semanas a 4 meses, dependendo da lesão e a critério do médico;
c) Após este período tratamento fisioterapêutico para restabelecer a função que incluirá recursos da eletrotermofoterapia como: TENS, ultra-som, laser, crioterapia. Recursos cinesioterapêuticos: fortalecimento, alongamento e, trabalho funcional e proprioceptivo para restabelecer o movimento, fazendo com que o atleta/desportista, retorne para sua atividade com segurança e o mais breve possível.

O estágio IV, segundo bibliografia consultada, deve ser tratado cirurgicamente. Observa-se, porém, que se pode optar por uma técnica cirúrgica em estágio III, dependendo da evolução da lesão e da sintomatologia do paciente. Dentre as técnicas cirúrgicas mais preconizadas no momento notam-se:
a) O reparo biológico: uso de condrócitos autólogos (células presentes no tecido cartilaginoso) e de cultura de condrócitos;
b) Mosaicoplastia: retirada por artroscopia, de cilindros osteocartilaginosos do côndilo femoral medial ou lateral e introdução destes no local da lesão;
c) Artroscopia do tornozelo.

Dependerá da lesão para escolha da técnica mais adequada. Entretanto, acredita-se que a mosaicoplastia tem a vantagem de somar elementos das duas técnicas, sendo hoje, uma real opção para as lesões osteocondrais do talo.

RETRONO AS ATIVIDADES

Após a cirurgia, devem ser observadas todas as etapas para reabilitação funcional deste paciente, respeitando a fase e característica da lesão e preconizando as técnicas específicas da fisioterapia. Lembrar que o protocolo de tratamento deve-se respeitar o critério médico estabelecido, entretanto, ao fisioterapeuta cabe escolha das melhores técnicas. Somente quando o atleta/desportista tiver estabelecido toda sua função biomecânica para articulação do tornozelo, sem restrição de arco de movimento, sem dor, com bom grau de força muscular, sem déficit sensório-motor, aí sim podemos pensar em liberação para atividades físicas com restrições e estrito acompanhamento.

BIBLIOGRAFIA

COHEN, Moises e ABDALLA, Rene Jorge. Lesões nos Esportes: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento. Rio de Janeiro, Revinter, 2005.

Até a próxima!
Marcelo Luiz de Souza
Fisioterapeuta - Crefito 2: 74644-F
marceloluizsouza@globo.com
Tels: (21) 78526135 (ID: 83*17295) e 9627-5472



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