DIRETO DE PORTUGAL
Alberto Helder foi formador de um vasto número de árbitros lisboetas
02/JAN/2010
No início do novo ano, para além dos desejos festivos a todos os internautas, uma certeza para já: Poderei considerar categoricamente o 6 de Dezembro de 2009, como sendo o dia da arbitragem brasileira!
Toda esta minha convicção foi transmitida, de viva voz, muito antes dos jogos da última jornada do Brasileirão se terem iniciado, pois senti conscientemente que tal iria acontecer, pelo valor, categoria e empenhamento dos juízes brasileiros.
Já no final dos jogos, a unanimidade de apreciação ao excelente e criterioso trabalho das equipas de arbitragem em todos os desafios, quer pelos Treinadores, Dirigentes e Jogadores, quer pela comunicação social, e principalmente pelos torcedores, foram merecedores dos maiores encómios.
Assim, dá gosto ver a dedicação, sentido de responsabilidade e a entrega de gente bem formada e intencionada e conhecedora da matéria que administra, os Árbitros e que tanto gostam de participar no maior espectáculo do mundo, o Futebol!
E por falar no desporto-rei direi que este dia foi também para mim de importância tamanha nos meus 67 anos de vida, pois estive no mítico, maravilhoso e deslumbrante Estádio do Maracanã, tendo assistido ao jogo do título de campeão, ganho pelo Clube de Regatas do FLAMENGO (fundado em 17.11.1895) ao GRÉMIO Foot-ball Porto Alegrense (f. 15.09.1903), por 2-1.
Graças ao manifesto interesse do meu bom amigo Sérgio Corrêa da Silva e também do meu bom amigo e seu parceiro de Comissão de Arbitragem da CBF-Confederação Brasileira de Futebol, Manoel Serapião Filho, aos quais muito grato estou, foi possível viver momento único, histórico, emotivo e grandioso bem junto do “povão” (vi todo o jogo de pé, em cima da cadeira), que chora, incentiva, ri, ofende, barafusta, elogia, gesticula, grita, dança, eu sei lá que mais… pelos seus jogadores, adversários, dirigentes, Árbitros e demais… Só visto!
Quando entrei no imponente e monumental estádio estava vazio e quando saí, muitas horas depois, também…
Na mesma posição incómoda (?) estiveram os meus companheiros de bancada, todos eles flamenguistas, o Marco Chiacchio, seu pai (António) e Fabiano Rolindo, de Indaiatuba (São Paulo), este teve de percorrer, ida e volta, mais de 1.000 quilómetros para assistir à brilhante vitoria do MENGÃO, acontecimento que não festejava há já 17 anos.
Também aplaudi o Flamengo, mas o meu clube no Brasil é o SANTOS Futebol Clube (f. 14.04.1912), ligação que dura desde 11 de Outubro de 1962, quando, no jogo da segunda mão da Intercontinental, realizado no Estádio da Luz, Pelé, Coutinho, Gilmar, Pepe & Companhia deram um festival de bola, encantaram, venceram e convenceram com os 5-2 que ganharam ao Sport Lisboa e BENFICA (f. 28.02.1904).
O muito tempo que se aguardou para a partida se iniciar deu para ver e apreciar muitas coisas, todas elas boas. Mas o que mais me impressionou foi a entrada dos torcedores no estádio depois de horas e horas em filas compactas, ao sol, sujeitos a apertados controlos policiais, com manifestações altamente emotivas, colectivas ou individuais, a pularem, cantarem, beijarem o chão, gritarem, bracejarem!
Na verdade, só quem presencia esta espontânea e esfuziante exteriorização do que sofre e continua a dar tudo por tudo pelo seu querido clube, é que vê o esforço (aqui compensado, claro!) que o adepto faz para o acompanhar nos momentos decisivos! É de louvar tais atitudes.
Aqui ficam os nomes dos componentes da equipa de arbitragem que dirigiu o Flamengo/RJ-Grémio/RS, presenciado por mais de 90.000 espectadores, lotação mais do que esgotada, pois como disse, só em cima da cadeira é que foi possível ver o encontro:
Árbitro: Heber Roberto Lopes, FIFA, do Paraná (nasceu em 13.07.1972). Assistentes: Alessandro Álvaro Rocha de Matos, FIFA, da Bahia (n. 10.02.1976) e Carlos Berkenbrock, FIFA, de Santa Catarina (13.05.1972). 4º Árbitro: Francisco Carlos do Nascimento, de Alagoas (n. 09.10.1977). 5º Árbitro (Assistente): Ricardo Carlos Almeida, do Rio de Janeiro (n. 10.03.1971).
Ao jantar encontrámo-nos no Hotel com os colegas que estiveram também no Rio de Janeiro a arbitrar a partida entre o BOTAFOGO de Futebol e Regatas (f. 08.12.1942) e a Sociedade Esportiva PALMEIRAS (f. 26.08.1914). Ganhou o primeiro por 2-1.
Eis os seus nomes: Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva, FIFA, do Rio Grande do Sul (n. 26.06.1971). Assistentes: Erich Bandeira, FIFA, do Pernambuco (n. 21.05.1966) e José António Chaves Franco Filho, do Rio Grande do Sul (n. 18.01.1971). 4º Árbitro: Wallace Nascimento Valente, do Espírito Santo (n. 05.04.1966). 5º Árbitro (Assistente): Rodrigo Pereira Jóia, do Rio de Janeiro.
Foi, sem dúvida alguma, um dia fantástico, bem passado e que será sempre recordado…
Expresso solidariedade, amizade e consideração aos colegas Leandro Vuaden FIFA, Paulo Conceição e Márcio Silva, todos do Rio Grande do Sul, Márcio Santiago FIFA (Minas Gerais) e Aparecido Santana (Paraná), agredidos em Curitiba por um grupo de energúmenos, que deram mostras bastantes do que são capazes, ultrajando não só o nome do Clube como a dignidade dos Árbitros que fizeram o seu trabalho como todos os outros, com rigor, saber e isenção, não contribuindo absolutamente em nada para a verificada descida de divisão do representante maior daquela Cidade.
Que a Justiça (desportiva e criminal) faça valer exemplarmente as leis que regulam este género de violência gratuita e nefasta que deve ser erradicada dos recintos desportivo, onde deve imperar o desportivismo, respeito e, principalmente, o civismo!
Até para o próximo mês.
Aquele abraço do Alberto Helder.
Blog do Alberto Helder
-------------- Nota do Editor: Alberto Helder Henrique dos Santos foi árbitro de futebol e de futsal em Portugal na década de 70. Como dirigente, atuou como formador e observador da Federação Portuguesa de Futebol e como chefe de serviços na APAF (Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol). Hoje, desempenha o cargo de membro do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Lisboa (criada em 23/9/1910)
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